top of page
  • Foto do escritorMarianne Brandão

Já tem uns anos que fui invadida por um sentimento de “indiferença”, que antes achava ser natural da idade. Não é uma falta de paciência, é na verdade um misto de falta de energia e assertividade, voltada a forma que me comporto diante de entretenimento e seus 15 minutos de tolerância!

É uma exaustão interna resultado um cálculo bem complexo: minha falta de tempo x coisas que queria conhecer, e que tem como resultado não me obrigar a fazer o que realmente não quero fazer.

Como um ato de autocuidado, recomendo fortemente desistir de basicamente qualquer experiência de entretenimento da qual você não esteja gostando. Fechar um livro ou desligar um filme com o qual você não está se conectando é um presente para si mesmo (E uma rara oportunidade de desistir de algo que não terá consequências).

Nem sempre tive uma atitude tão zen em relação ao consumo de entretenimento, muito pelo contrário, quando era mais nova, sempre me obrigada a terminar o que havia começado.

Vou explicar melhor: em algum momento dos meus 20 anos, ouvia as pessoas me dizendo como “E o vento levou” era um clássico, que quem entendia minimamente de cinema, adorava o filme e tal. Então, cedendo ao consenso, assisti. Lembro que na primeira hora já estava angustiada; que a cada cena esperava algo acontecer, talvez que me tocasse, não sei. Mas esperava bem mais.

Ao final do filme, 4h13m depois, pensei: “Nunca mais!”.

Na minha vida adulta, abracei a arte de me desobrigar. Se não me encantar com os 30min de um filme, eu desisto. Quando uns 3,4 episódios de uma série não me atraem, eu paro.

A gratificação não precisa ser imediata (nem quero ir contramão sobre a nova onda do detox de dopamina) - mas deve ser eventual. Então não há razão para nos contentarmos com algo que nos deixa indiferente.

Um dos benefícios de ser indiferente a esse tipo de obrigação, é que você fica livre para desfrutar de uma experiência melhor: outro filme, série ou documentário que melhor se adapte ao seu gosto.

Pense nisso: Nem todo momento deve ser para edificação ou autoaperfeiçoamento. Se você está animada para se envolver com algo desafiador, parabéns. Mas se a sua escolha de entretenimento não for envolvente, recomendo considerar escolher algo somente quando seus “olhinhos brilharem”.

Commentaires


bottom of page